terça-feira, 3 de julho de 2012

A Criação do Universo




(Conto IORUBÁ da Nigéria e de outros países da África Ocidental)

Quando ainda não existia nada como conhecemos hoje, havia apenas uma grande extensão de céu e uma enorme extensão de mar. Olorum era o rei e deus do céu e Olocum era a rainha e deusa do mar. Os dois reinos estavam totalmente separados e nunca houvera nenhum conflito entre as duas divindades. Olorum estava satisfeito com seu reino e quase nunca sabia de nada do que acontecia abaixo do céu. Olocum também estava contente com seu reino, embora ali não houvesse estava contente com seu reino, embora ali não houvesse vegetação nem criatura de espécie alguma.
Mas o jovem aprendiz de deus Obatalá, que não concordava muito com essa divisão, olhou para baixo lá de cima do céu e disse a si mesmo:
- O reino que temos abaixo de nós tem um aspecto deplorável. É preciso fazer alguma coisa para melhorá-lo! Se pelo menos houvesse montanhas e bosques para dar-lhe outro aspecto e um pouco mais de cor!
Foi assim que Obatalá decidiu ir ver seu rei Olorum para explicar-lhe sua idéia.
- Preciso admitir que você tem razão. As montanhas e os vales que você descreve seriam muito melhores que essa mancha cinza imensa que temos lá em baixo. Mas quem vai criar esse novo mundo? E de que jeito? – disse Olorum.
- Se você deixar, eu mesmo vou tentar – respondeu Obatalá, com voz segura.
- Está bem. Tem minha permissão. Mas antes você terá que ir ver meu filho Orunmilá. Você já sabe que ele tem o poder de prever acontecimentos futuros e de encontrar soluções.
No dia seguinte, Obatalá foi ver o filho de Olorum. Depois de fazer seu ritual de adivinhação, Orunmilá disse:
- Você precisa encontrar uma corrente de ouro tão comprida que lhe permita descer do céu até as águas do reino que temos embaixo. Ao descer, tem que levar junto um caracol cheio de areia, uma galinha branca, um gato preto e uma tâmara. É tudo o que você necessita para conseguir seu intento.
Obatalá ouviu-o atentamente. A primeira coisa que fez foi ir ver um ferreiro para encomendar-lhe a corrente de ouro. Mas acontece que ele não tinha ouro suficiente. Assim, teve que visitar todos os deuses do reino de Olorum para pedir que lhe dessem ouro para fabricar a corrente mais comprida possível. Quando a corrente ficou pronta, Orunmilá deu um saco a Obatalá. Dentro dele havia tudo de que ele precisava: o caracol cheio de areia, a galinha branca, o gato preto e a tâmara. O jovem deus amarrou o saco nas costas e começou a descer pela corrente até as águas. Descia e descia lentamente, sentindo a umidade que subia das águas. Até que a corrente acabou..., mas ele ainda estava alto demais para pular! De repente, ouviu a voz de Orunmilá, que lhe ditava o que devia fazer:
- Pegue o caracol que você tem dentro do saco e jogue toda a areia na água!
Obatalá fez o que lhe dizia Orunmilá.
- Agora jogue a galinha – gritou Orunmilá.
Obatalá pegou a galinha do saco e a jogou nas águas. A galinha fio cair onde havia caído antes a areia. Tentava caminhar por cima das águas para não se afogar, e os grãos de areia iam se transformando em terra firme e seca. Os grãos maiores se convertiam em montes e, entre os montes, apareciam vales. Obatalá decidiu que já podia pular da corrente. Caiu sobre a terra e andou todo sorridente. Agora havia terra em todas as direções. NO lugar onde caiu ao saltar da corrente, ou seja, no primeiro pedaço de terra pisou, ele abriu um buraco com as mãos e plantou a tâmara. Imediatamente a tâmara se transformou numa palmeira e um pouco adiante apareceu outra, e outra, e mais uma... Com alguns troncos de palmeira caídos e algumas folhas, Obatalá construiu uma cabana e ali viveu feliz em companhia do gato preto.
A deusa Olocum estivera observando todo o processo de criação daquele novo reino entre o céu e o mar e achou que estava bom. E desde aquele instante Obatalá se converteu no deus e rei da terra. E tudo começou a ser tal como conhecemos hoje.


Livro – O Príncipe medroso e outros contos africanos
Autora – Ann Soler-Pont

A Força da Natureza nas Religiões Afro-Brasileiras




O LEÃO E O MENINO   
      
   Certa vez um menininho estava perdido na floresta e foi encontrado por um forte e belo leão. Este, ao contrário do que todos podem imaginar, não devorou o menino, mas sentido muito carinho por ele passou a tratá-lo como filho e a cuidar dele por incontáveis dias e noites. Protegido e amado o menino cresceu e o leão preocupado em encontrar a família do menino correu muitos riscos se aproximando de povoados e pessoas a fim de um dia encontrar a família do garoto. Depois de muitos perigos e tentativas ele finalmente encontra a família de origem do rapaz. Então o nobre leão chamou o moço e disse: “ – Filho, você já está um rapaz, um homem feito e é de meu desejo que você se case. Eu passei por uma aldeia de homens e observei que existem diversas moças de sua idade. Eu quero que você vá até lá e fique por uma semana, para que possa conseguir uma esposa”.           
O rapaz obedeceu e foi para  a tal aldeia, lá chegando seus traços físicos denunciaram logo de quem ele era filho. Sua família mal acreditava que ele estivesse vivo e prepararam imediatamente uma festa para comemorar. Durante os festejos o leão se aproximou da casa para observar e escutou quando o pai biológico interrogava o filho: “ – Filho, como você conseguiu viver tanto tempo com um bicho desses, com uma fera atroz e selvagem? “- Mas pai, o leão foi para mim um protetor. Ele sempre cuidou de mim e fez de tudo para me proteger e para que eu vivesse bem, sempre dividiu seus alimentos comigo. Porém, o que sempre me incomodou foi o seu mal cheiro, sua catinga. No início eu sentia a barriga embrulhar, tinha náuseas horríveis. Com o passar dos anos fui me acostumando, mas ainda sinto mal estar com aquele cheiro”.          
  Ao ouvir aquelas palavras o leão sentiu uma dor tão grande e triste voltou para casa. Alguns dias depois o rapaz retornou. O leão ordenou que ele empunhasse uma lança, o golpeasse. O rapaz relutou, mas por fim, acatou as ordens do pai e desferiu um golpe de lança, ferindo o leão na barriga. Algumas semanas se passaram, e a feriada cicatrizou. O leão então chamou o rapaz e lhe disse: “ – Filho, veja como as feridas que você me causou já cicatrizaram. Mas as feridas que cortam mais profundamente e mais difíceis de cicatrizar, são as causadas pelas palavras. Peço que volte para a aldeia dos homens e passe a viver com a sua família de origem, onde o perfume está presente como a abundância das chuvas de inverno. Eu estou profundamente ferido pelas suas palavras e, de hoje em diante renuncio a continuar sendo seu pai.            
Uma ferida causada por ofensa pode não cicatrizar jamais.


 ATIVIDADE DE CONSTRUÇÃO E SOCIALIZAÇÃO DO CONHECIMENTO:  

         
As histórias sagradas no candomblé e na umbanda, entre outras manifestações religiosas de origem africana, muitas vezes apresentam os orixás, que são os encantados, as divindades criadas por Olorum . Estes orixás, forças ativas da natureza,  podem se comunicar com as pessoas.           
  A natureza se comunica com as pessoas o tempo todo, então os orixás estão presentes na vida das pessoas todo o tempo, conforme estas crenças religiosas.           
Na Mitologia Yoruba, Olorun é o Deus supremo do povo Yoruba, que criou as divindades chamadas para representar todos os seus domínios aqui na terra. Mas, é importante lembrar que eles não são considerados deuses. Os orixás representam a personificação da natureza.           
O contato dos povos africanos com a natureza se estabeleceu de maneira sagrada, rios, animais, pedras, árvores, tudo está vivo, de toda a natureza emana energia. É esta energia que forma os orixás.

1) Os alunos podem pesquisar o nome de alguns orixás, descobrindo qual é o elemento natural que eles representam. Ex: Iemanjá, as águas do mar; Oxum, as águas doces; Iansã, os ventos e tempestades; Xangô a força do trovão; Ogum, senhor do ferro; Oxossi, senhor da caça; Ossãe é o orixá das folhas, preservador das matas e das florestas, conhecedor das folhas medicinais...

2) Cada aluno escolhe um orixá para fazer uma escultura, modelagem ou pintura representando criativamente este orixá. É importante que sua obra represente o Orixá e apresente os elementos da natureza que ele carrega em si.

3) Apresentar o trabalho para a classe. Nesta apresentação os alunos tentam identificar qual orixá está sendo mostrado, ao término das tentativas, o aluno, criador da representação, conta qual é o nome do orixá que ele está apresentando.


Fonte: Porfa. Emerli S.

domingo, 1 de julho de 2012

FORMAÇÃO DOCENTE E A LEI 10.639/003

A educação etnicorracial hoje é questão recorrente na formação docente, sobretudo, porque o preconceito racial ainda é um problema a ser combatido no Brasil, principalmente na sala de aula da escola da educação básica. Na perspectiva de colaborar com a formação de professores (as) da rede pública da cidade de Areia-PB, a UFPB-Campus de Areia deu inicio ao curso de formação:  “Educar para a Diversidade: Educação Quilombola. O curso é coordenado pela Profª Drª Ana Cristina Silva da Rosa, do DCFS/CCA/UFPB e conta com a participação da Profª Especialista Lúcia de Fátima Júlio, da rede pública municipal de Alagoa Grande-PB que com o Prof. Dr. Waladeci Ferreira Chagas coordena o Curso: Cidadania e Identidades Negras, mantido pela UEPB- Campus Guarabira e destinado aos (as) professores (as) da rede pública municipal de Alagoa Grande. A experiência de formação docente na perspectiva da educação etnicorracial desenvolvida pela UEPB-Campus Guarabira junto aos docentes de Alagoa Grande e com o apoio da Secretaria Municipal de Educação, credibilizou ambas instituições na discussão sobre a implementação da lei 10.639/003, o que fez com que a Professora Lúcia de Fátima Júlio, tenha sido convidada a ser tutora do curso: “Educar para a Diversidade: Educação Quilombola (UFPB) e o Prof. Waldeci Ferreira Chagas (UEPB) convidado a ministar a aula inaugural deste curso, que ocorreu no dia 12 de junho, as 9:00 h no Auditório do Centro de Ciências Agrárias/UFPB-Campus Areia. Na aula  foram abordados aspectos da história e cultura afro-brasileira que podem ser contemplados pelos (as) professores (as) no cotidiano da sala de aula, e que são importantes a superação do preconceito racial, visto que este tipo de preconceito é fruto da ignorância dos (as) brasileiros (as) com relação a história e a cultura afro-brasileira. Apesar de essa história e cultura pertencer a todos (as) independente de cor de pele e tipo de cabelo, estudantes e professores (as) sabem pouco ou nada sobre ela, isso faz com que o preconceito racial ainda seja constante. Portanto, as pessoas negras no Brasil têm história e cultura, marcada, sobretudo, pela resistência contra a escravização, e a negação da cidadania. Logo, essa história e cultura devem ser ensinada e aprendida na sala de aula para que as pessoas negras e não negras construam outra imagem de si e do outro. Essa foi a abordagem da aula inaugural proferida pelo Prof. Waldeci Ferreira Chagas (UEPB-Campus Guarabira).

 HISTÓRIA E CULTURA AFRO-BRASILEIRA
Por que estudar?
Diversidade Étnicorracial;
Valoriza as diferenças culturais;
Eleva a auto-estima;
Respeito as diferenças;
Repensar o currículo escolar;
Refazer as práticas pedagógicas;
Combater o racismo.

HISTÓRIA E CULTURA AFRO-BRASILEIRA
Diz respeito a todos (as) brasileiros (as), e não apenas as pessoas negras.
Professor (a) deve reconhecer-se pertencente, superar o preconceito e valorizar os aspectos históricos, culturais, sociais das pessoas negras.




Atividades

Palavras de Origem Africanas                 



Vamos descobrir o que significam algumas delas?  Pergunte aos seus familiares se usam e/ou conhecem algumas delas. Divirtam-se!



Abará_______________________________________________________
Acarajé _____________________________________________________
Angu _______________________________________________________
Banguê _____________________________________________________
Banzo ______________________________________________________
Batuque ____________________________________________________
Cafundó ____________________________________________________
Cafuné _____________________________________________________
Dendê_______________________________________________________
Dengo ______________________________________________________
Fubá________________________________________________________
Guandu _____________________________________________________
Inhame ______________________________________________________
Iemanjá ______________________________________________________
Jiló _________________________________________________________
Jongo _______________________________________________________
Lundu _______________________________________________________
Maracatu _____________________________________________________
Marimbondo__________________________________________________
Munguzá _____________________________________________________
Orixá _________________________________________________________
Quiabo ______________________________________________________
Quilombo _____________________________________________________
Quitute _______________________________________________________
Samba _______________________________________________________
Senzala ______________________________________________________
Urucungo _____________________________________________________
Vatapá ________________________________________________________
Zumbi ________________________________________________________


Conhecem mais algumas?
______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

terça-feira, 26 de junho de 2012

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Oficinas - 2010
















Curso de Cidadania e Identidades Negras nas Escolas 2010

Módulo  I
História da África e das populações negras no Brasil 





 Neste módulo os professores cursistas adquiriram o conhecimento, passando a compreender a História da África e das populações negras no Brasil. Na escola como em toda a sociedade brasileira, as diferenças étnico-culturais não são respeitas, é um ambiente em que os preconceitos e práticas racistas são muitas vezes difundidos, mostrando um racismo velado.
De acordo com Ruth Martins Valentim e José Licínio Backes  “a sociedade traz consigo de forma muitas vezes velada, os anacrônicos malefícios do racismo, que têm provocado disparidades sociais nas quais os índices mais baixo têm sido destinados aos negros comparados aos brancos. É oportuno observar que o modelo econômico social existente tem sido muito injusto com a população menos favorecida economicamente e que em grande parte dentre os mais alijados encontram-se os negros”.
A educação voltada para as relações étnico-raciais e para o ensino de história e cultura afro- brasileira e africana promove a igualdade étnico – racial/social e a não discriminação das pessoas negras.
E no futuro os negros participarão de forma efetiva em condição de igualdade com as outras pessoas, no acesso as universidades, a cargos e funções em todos os setores da sociedade.
A Lei Federal 10.639 estabelece nos currículos escolares uma nova abordagem da história africana e dos escravizados, quando busca apresentar e investigar uma história que não foi contada, estudada, e que quando as vezes, esta foi mencionada, foi vista sob uma ótica eurocêntrica.



Módulo II
Religião e Religiosidades Afro-brasileiras
Profª.Msª. Ivonildes da Silva Fonseca/Prof.Ms.Wollace Ferreira de Souza









Neste módulo foi debatido o conteúdo de Religião e Religiosidade Afro-brasileira e afro- indígena. Segundo depoimentos dos professores o módulo ajudou na desconstrução dos preconceitos da religião e religiosidade.
 Neste módulo foi observada certa resistência por parte dos cursista o que não tem explicação já que a religião Afro – brasileira e afro – indígena  é a prática de uma doutrina baseada em valores de Paz, Justiça, Amor fraterno e Sacralização da vida" ( Babalawo Ivanir dos Santos).
As religiões dos bantos, iorubas e fons são religiões de culto aos ancestrais, que se fundem nas famílias e suas linhagens. (Reginaldo Prandi, Revista USP, São Paulo (28): 64-83, Dezembro/ 95/96. )
            Elas podem ser trabalhadas com músicas já que são cantadas na MPB como por exemplo citamos “Em 1964, através da TV Excelsior Elis Regina canta “Arrastão” de Ruy Guerra e Edu Lobo: “Eh, meu irmão me traz Iemanjá pra mim/Nunca jamais se viu tanto peixe assim...”, “O Canto de Ossanha” de Vinicius e Baden.   
O que também facilita a introdução da Religião e Religiosidade afro - brasileira e afro – indígena é o conhecimento das lendas sobre as entidades religiosas do catolicismo e os mitos sobre as entidades africanas ou indígenas.


Módulo III
Culturas Afro-brasileiras

Profª. Drª.  Patrícia Cristina de A Araújo/ Profª. Drª.  Maria Lindaci Gomes de Souza









Neste módulo ocorreu uma análise sobre as culturas afro-brasileiras a partir da  sua importância no ensino no fundamental. Possibilitando a compreensão da diversidade afro – brasileira como patrimônio histórico-cultural nacional que contribuiram na organização de uma educação patrimonial das relações etnicorraciais.
Segundo Roque de Barros Laraia, a palavra cultura tem origem com o termo germânico Kultur, o qual simbolizava todos os aspectos espirituais de uma comunidade e, o termo francês, civilization, era utilizado para referir às realizações materiais de um povo.
De acordo com o plano de desenvolvimento do módulo elaborado pelas Profª.Patrícia e a Profª.Lindaci foi abordado a religiosidade, a dança, a culinária, a matriz africana na cultura brasileira, o mito da democracia brasileira, o preconceito racial a moda brasileira, a cultura negra no espaço urbano e rural.
Segundo depoimentos de professores cursistas ocorreu uma modificação da maneira de como era vista as culturas afro – brasileiras sempre de forma folclorizada, valorizando se o europeu como detentor  de uma“culturasuperior e civilizada”.

Módulo IV
Literaturas Africanas e Afro-brasileiras
Profª. Drª Rosilda Alves Bezerra





De acordo com os professores o módulo mostrou que a literatura pode ser veículo de promoção da igualdade étnico-racial na escola e  através da leitura podemos fazer a seleção de texto que levem a construção de espaços voltados a equidade social e étnico – racial.
Os professores foram habilitados a compreender as questões relacionadas à diversidade etnicorracial e lidar positivamente com elas criando estratégias pedagógicas que possam auxiliar os alunos na construção do saber acerca da história e cultura afro-brasileiras e africanas e desconstruindo preconceitos.